18 de out de 2013

Paralelo.

- Moço, posso fazer uma pergunta?
A reação inicial foi de passar direto.
Esta é a atitude de quem fica pedindo dinheiro no Setor Bancário Sul.
Mas alguma coisa me disse para ouvir.

- Sim. Pode perguntar.
- O senhor vê alguém do meu lado?
- O que? Não entendi.
- Isto mesmo. Tem alguém aqui do meu lado?

E não entendi mesmo. Aquela pessoa estava sozinha.
Claro que não tinha ninguém.

- Não vejo ninguém. Você está sozinha.
- Sabe moço, tenho um transtorno.  Às vezes penso que estou falando com alguém que só eu vejo.
- Mas como sabe que eu estou realmente aqui?
- E você não está?

Sabe aquela hora em que a resposta tem que ser muito bem pensada?
E que não pode nunca estar errada?
Engoli em seco. Respirei fundo. Dois segundos.

- Estou.

Ela agradeceu e continuou seu caminho.
Continuei sem entender nada.
A conversa foi rápida.
Lembrei do filme "Uma mente brilhante" e do seriado "Perception", dois exemplos de pessoas que, em alguns momentos perdem a
noção da realidade e conversam com "o amigo invisível".
No filme o protagonista só pergunta para pessoas que conhece e no seriado, ele sabe que está falando com uma visão.

Voltei para o trabalho e optei por esquecer aquela conversa. Até hoje.

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