17 de out de 2013

ACERCA DO CAFE ESPRESSO (EXPRESSO)

Gosto de café. Espresso mais ainda.
Dia destes pedi um Espresso encorpado.
A atendente me disse que, encorpado, só Sul de Minas.
Ok. Quero um.
A bandeja veio com um copinho de água com gás, um chocolate, o café e pacotinhos de adoçante e açúcar.
Penso que adoçar o café tem que ser opção, nunca necessidade.
Tem um ritual para tomar café.
Primeiro sentir o cheiro. 
O cheiro é a assinatura do café. 
Tipo de grão, como foi colhido, local de plantio, torrefação.
Tem pessoas que conseguem identificar até o horário da colheita pelo aroma.
A xícara não pode ser tocada. O aroma dever vir no ar e destacar de qualquer aroma ambiental.
A água tem que ser gasosa. Água ou soda. E não precisa estar gelada.
Apenas um gole. A metade. Deixa o resto para o final. Dizem que a água com gás "abre a guela" (garganta) e deixa mais suscetível ao gosto do café.
Agora é hora do espresso. Prefiro sem doce, bem natural.
O café precisa circular pela boca e depois passar pela "guela" bem devagar.
Já me disseram que, neste momento, toda a história do café é projetada na nossa mente, como um filme.
Ainda não cheguei a este estágio.
A degustação tem que ser contínua. Até o final.
Depois vem o chocolate (ou biscoito) e por fim, o restante da água.
Todo dia, ao acordar, faço um café. Optei por comprar em grãos.
Uso um moedor elétrico portátil para umas 4 colheres de grãos.
Como não tenho máquina de expresso, uso a cafeteira comum.
O cheiro toma conta da casa.
Até o vizinho já comentou que sente um cheiro de café toda manhã. Fiquei calado.
A curiosidade é muito boa e aguça a imaginação.
Esta saga do café já me segue há anos.
A Dona Rosa gostava de preparar seu próprio café.
Desde a colheita dos grãos bem vermelhos e colocava para secar ao sol.
Depois ela separava os grãos para torrar. Um ritual.
Fogão a lenha, aquela mistura de panela com betoneira portátil até chegar no ponto.
Ela acreditava que, quem estivesse torrando o café, não podia chegar perto de água.
Dizia que ficava paralitico. Faz sentido.
Guardava os grãos torrados em uma lata e moía o necessário para uns 2 ou três dias.
Na hora de fazer o café pegava o velador e um "cuador" de pano.
Ela mesmo fazia com os panos de linho branco que pedia para buscarmos na venda.
Colocava a água para esquentar e adoçava com rapadura. Isto mesmo. Era o famoso café com rapadura.
Sim. fervia a água, mas só para derreter a rapadura.
Porque só fazia o café com depois que a água perdia aquela "cara de fervura".
Claro que o café sempre tinha um acompanhante. Uma broa de fubá mimoso ou queijo minas.
Mas ai, são outras histórias.
Matosinhos - 17, out 2013

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