31 de jul de 2009

Banco do Brasil: Adiantamento para casamento!

game-2dover Às vezes me vanglorio de não ter passado por muitos trotes no Banco.  Não jurei sobre a CIC Funci, não fiz assinatura do BIP e muito menos coloquei oitavado em ordem alfabética ou lavei fita de máquina de fazer cheques.


Mas a vingança da agência foi um trote bem pensado.


Nos idos de 1983, quando tomei posse, já estava noivo e pretendia casar. Lógico que o salário do Banco do Brasil era muito maior que da iniciativa privada, algo em torno de 4 ou 5 vezes mais. Mas é outra história.


Em pouco tempo o Clovis ficou sabendo da minha pretensão  de  casar em breve. Faltando uns quatro meses para o casório, o Clovis, que era meu mentor de crédito rural, me chamou e perguntou:


- Matosinhos, você tem dinheiro suficiente para o casamento?


Respondi que tinha umas economias na poupança da Minas Caixa e que os móveis já estavam comprados, só faltava mesmo o local para morar. Como estava de transferência para Santa Bárbara, em um final de semana eu resolveria isto.


- Mas Matosinhos, veja bem. Tem um adiantamento do Banco, de quatro salários, que chamamos “Adiantamento para Casamento” que você poderá pagar em até 10 meses sem acréscimo.   É só preencher este formulário aqui.


Entregou-me um formulário bem elaborado que continha os dados básicos (nome, matrícula, categoria, numero de filhos, data do casamento, nomes dos meus pais, nomes dos meus sogros, nome dos meus cunhados (e eram muitos...) e todas aquelas informações do “Funcionário/Assunto/Razão”. Disse-me para preencher e devolver para ele que providenciaria  “ o devido encaminhamento”.


Na hora me veio um monte de coisas na cabeça, principalmente a dúvida do que fazer com quatro salários, tilintando na conta. Preenchi todos os campos, escrevi um “Assunto/Razão” bem convincente, assinei e devolvi ao Clovis.


Ele olhou o formulário, analisou item por item, fez alguns comentários do tipo “como a família da sua noiva é grande” e prometeu encaminhar o documento para o gerente.


No dia seguinte  me informou que já havia entregue ao gerente e que dentro de uns quatro ou cinco dias daria a resposta.


Uns dias depois o menor, que era mais um assistente, chegou e me disse que o Gerente queria falar comigo. Levei o maior susto. “Que será que eu fiz desta vez?” pensei com os meus botões.


Subi as escadas e fui até aquela sala que mais parecia casa mal assombrada, com uns armários enormes, marrons escuros, uma mesa gigantesca ( o tamanho da mesa era proporcional ao cargo) no meio, alguns sofás individuais e duas cadeiras. Ele olhou por cima daqueles óculos de leitura, e fez um movimento indicando para sentar em uma das cadeiras, com aquela cara de sério. Senti-me na frente de um juiz inquisidor.


Pegou a pasta parda, abriu, passou os papeis para lá e para cá, leu alguns pontos, fez alguns círculos, até que começou a falar:


- Matosinhos, você já está conosco há cinco meses.  Já foi até indicado para trabalhar lá na nossa Classe I de São Domingos do Prata, com crédito rural, porque, segundo o Clovis me disse, você já entende bastante das normas, sabe fazer uma cédula bem feita, analisar uma proposta corretamente, consultar a CIC Rural.


Já não entedia mais nada. Afinal, o que eu fiz?


- Mas algumas coisas precisam estar claras – continuou o gerente – o Banco é realmente uma mãe para todos nós.  Fez nova pausa, olhou novamente os documentos da pasta, e continuou: “... mas as despesas com o casamento, são de responsabilidade do pai da noiva.” Por isto -  continuou -  estou indeferindo o seu pedido. “Seja bem vindo ao seu primeiro trote dentro do Banco do Brasil.”


Fiquei ali, ainda sem entender nada, mas com uma vontade louca de dar um montão de gargalhadas. Contive-me, levantei agradeci e quando sai da sala, a agência todinha estava me esperando do lado de fora. Bateram palmas, riram.


Como já estava no final do expediente, saímos para tomar um “suco de cana” e o assunto, de tira-gosto, foi o adiantamento para casamento.


Durante vários dias o requerimento e o “indeferimento” ficaram expostos no quadro de avisos da agência, lá na cozinha. E todo dia era uma risada geral.

Um comentário:

Marcos disse...

HAUHUAUHAUHUAUHAUHUAUHAUHUA!!!

Cara, adoro esse tipo de trote bem humorado! Queria ter pensado nesse! hauhuauha

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