24 de ago de 2008

Meu nome? Números!


Texto publicado originalmente em 10.07.2007 no Overmundo.

Quando nascemos, ganhamos um nome. Mesmo que seja Um Dois Três Quatro de Oliveira Cinco.
Mais tarde ficamos sabendo que, junto com o nome, ganhamos um número: Registro 1234567-39, Livro 97, Folhas 49 a 53. Afinal a gente usa o nome ou o número? Até aqui só usa o nome.

Crescemos e ficamos sabendo que precisamos fazer outro documento, chamado RG. RG? Sim. Registro Geral. " - Perai. Se é registro geral, nele vai ter tudo, meu nome e todos os dados a meu respeito". Mais ou menos.

Lá na Secretaria de Segurança Pública vão copiar as digitais de todos os nossos dedos das mãos (direita e esquerda), verificar se a foto é nossa mesmo, coletar a assinatura e entregar o documento.


Com o Registro Geral nas mãos, vamos ao Banco para abrir uma conta. Precisamos de um lugar para guardar o dinheiro que vamos ganhar. A moça nos atende muito atenciosamente e diz: "- Carteira de Identidade, CPF e comprovante de residência, por favor!"

"- Perai, moça. Tenho isto não. Trouxe meu Registro Geral. Tem tudo ai."


"- Seu Um Dois Três. Não é bem assim. Este Registro Geral é o Registro do Senhor lá na Segurança Publica. É um documento que a Polícia emite atestando que o Senhor é o Senhor mesmo. O CPF é um documento emitido pela Receita Federal, com o número que o Senhor usará para pagar Imposto de Renda. "

Para não "perdermos a viagem", a moça faz o seu CPF lá mesmo. E ficamos sabendo que o número é 123456789-00. Pela quantidade de números imaginamos que este será o nosso número definitivo.

A moça termina de digitar um monte de coisas lá no computador, faz um monte de perguntas, número de filhos, placa do carro, pessoas que me conhecem. Escreve uns números no papel e diz: " - Seu Um Dois Três. Este é o numero da conta do senhor. Dentro de alguns dias chega o cartão para o Senhor movimentar a conta"

Poderia continuar aqui com outros passos para se obter um número. Numero de Cartão de Crédito, Número do Seguro Social, numero de matricula. Mas este assunto surgiu quanto fui responder uma questão colocada no fórum do MBA que participo. O Assunto é varejo e tecnologia.

Já observou que hoje em dia a tecnologia domina tudo? Vamos ver:

Caixa Eletrônico. É só inserir um cartão onde estão gravados, magneticamente, as nossas informações. Sem voz, o terminal vai apresentando opções. Clica aqui, clica ali. Digita a senha aqui. A resposta vem em forma de letras na tela. Saldo insuficiente. Seu saldo não comporta esta transação. " - Perai. Mas eu tenho dinheiro na poupança!" A máquina nem dá bola. Ela não conversa.

Vai comprar um livro? Entra no site da livraria (que vende de livro a remédios), escolhe, fecha a compra, informa endereço de entrega, numero do cartão de crédito (olha o número ai novamente), recebe uma mensagem escrita de obrigado e espera chegar o livro em casa.

Não gostou do livro? Tudo bem. Pode devolvê-lo. Antes tem que ligar para um número e informar ao SAC (Serviço de Atendimento ao cliente), que solicita o numero do pedido, fala um monte de coisas iguais e te fornece um numero de protocolo para devolução.

Enquanto isto, no dia a dia, a namorada pede o número do seu telefone, o número da placa do carro, o número do RG (para ter certeza da identidade).

E a gente fica feliz com tudo isto. Para perpetuar a satisfação de ser um número, a gente manda tatuar um código de barras com um número qualquer no pescoço. Quem sabe daqui uns dias vão substituir o número por um código de barras.

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