27 de fev de 2016

Sacola de Shopping


 - Você tem uma sacola de shopping?
Uma pergunta meio estranha.
Normalmente os shopping não fornecem sacolas, exceto naquelas promoções de final de ano onde a gente troca as notas fiscais por um panetone.
Tenho umas sacolas do "Multi-atacadão", serve?
- Não. Esta também eu tenho. Não serve.
- Ok. Mas o que é sacola de shopping? E porque tem que ser uma?
Recebi um olhar com misto de curiosidade de reprovação, quando as pessoas pensam que estamos de brincadeira.
- Sacola de shopping são aquelas das Lojas Sara, Lojas Pior, Lojas Maslu, Lojas Lery´s, entendeu?
- Tá, mas não são sacolas de shopping. São sacolas das lojas. Não tenho mesmo.
Agradeceu e saiu.
Mas a curiosidade humana é mesmo incrível. O martelinho ficou batendo na cabeça: "- Porque tem que ser uma sacola de loja famosa?". "- Será que é alguma simpatia?"

Fiquei com aquilo na cabeça o dia todo. Procurei no Google "sacola de shopping", "simpatia com sacola de shopping", "simpatia com sacola de loja famosa". Nada.

Chequei em casa e comentei com a Regina. "- Me pediram hoje uma sacola de shopping. Ofereci uma sacola do Multi-atacadão e disseram que não servia. Sabe porque tem que ser uma sacola "de shopping"?
- Na verdade não se trata de uma sacola de shopping. É sacola de uma loja famosa, tipo Lojas Jucci, Klarc Calvo. Estas lojas.
- Continuo sem entender nada. Este detalhe da loja famosa, a pessoa me explicou. Mas não me senti suficientemente tranquilo para perguntar os motivos.
- Trabalhei perto de um shopping e era comum as meninas pedirem uma sacola de shopping. Elas saem do trabalho e passam no shopping, mas dizem que é "estranho" carregar sacola que não seja "sacola de shopping". Elas não aceitavam nem sacolas das Lojas Benner ou da B&A.
- Tá, mas ainda não entendi nada.
- Dahnnnn. Vou explicar: é só para desfilar no shopping com uma sacola de loja famosa. Só isto.
- Desfilar com sacola, shopping, loja famosa? Tá me dizendo que aquelas pessoas que circulam pelo shopping com aquelas sacolas das Lojas Maslu ou outras da mesma categoria nem sempre compraram alguma coisa nas lojas?
- Sim. Andar pelos shopping com sacolas de lojas famosas dá status.
- Tá de brincadeira. Carregar propaganda de graça dá status? Mesmo se a sacola não tiver nada dentro?
- É a vida.

A mente da gente é mesmo traiçoeira.
À noite fui ao Dark Shopping e todo mundo que passava por mim com uma "sacola de shopping", acionava a pergunta: " - compraram alguma coisa na loja ou é só status?".
Nunca vou saber.

19 de jan de 2016

Há algo silencioso mudando o mundo!


Hoje, pela manhã, a primeira mensagem de e-mail que vi foi "Há algo silencioso mudando o mundo", com um link (http://bit.ly/1S2tRTV) para um post no blog medium.com, escrito por Vanessa Naven.

Sem muita surpresa, exceto pela mensagem direta.
Mais tarde me deparei com um post em uma comunidade que participo e, neste, o assunto era "de quem é a culpa", com várias pessoas culpando varias outras, por uma série de problemas.

Cheguei a pensar de imediato. Este algo silencioso só pode ser o MEDO. Medo que não se atreve a se revelar.
- Medo de uma possível guerra, que acontece silenciosa lá do outro lado. Talvez um pouco maior que no tempo da guerra fria.
- Medo de chegar ao hospital, com uma necessidade grave, e não encontrar um médico para atender.
- Medo de um possível não nascer do sol no dia seguinte. Ou até mesmo de não finalizar a noite.

Uma lamentação estranha.
Mas são situações que não podemos intervir ou fazer alguma coisa.
Há uma confusão, também silenciosa, em conceitos e efetivação dos termos Capitalismo, Socialismo, Comunismo, Governismo. "Sem Vergonhismo".

Pode até ser um texto NADA A VER. Mas tem uma mensagem silenciosa.

5 de ago de 2014

O Homem da Barra Circular.


Hoje escrevi um post no FaceBook falando da experiência com uma bike vendida na edição de 2013 do Circuito Pedalar. edição de Brasília.

É uma bicicleta aro 20 com 6 marchas (1 x 6) e não tem estampado o fabricante. Na época a informação é que o fabricante era a Caloi. Muito simples. Me fez lembrar da minha primeira Monareta que ganhei quando completei 7 anos. Foi nela que aprendi a pedalar.

Bicicleta simples. Uma volta pela quadra (sem capacete - que feio...) enquanto me lembrava de alguns pedais longos que fiz e diversas trilhas. E não demorou muito para me lembrar do "Seu Zé da Barra Circular". As histórias a respeito dele são mais ou menos lenda urbana tipo "a loura do banheiro".

Neste caso, não tem lenda urbana. O cara existe mesmo. Eu mesmo já encontrei com ele (ou eles, sei lá) 3 vezes. A primeira vez foi na trilha Bontempo (Rebas), depois no Audax 200 e a última, no Desafio K450, lá na divisa de Minas com o Rio de Janeiro.

O que tem de excepcional este "Cara da Barra Circular"? Nada. 

Apenas que o cara, numa bicicleta Monark Barra Circular, pesando uns 20kg, de ferro, apenas a tração (sem marchas), coroa grande e catraca pequena, passa pelo Ciclista com sua Specialized 30 marchas, cumprimenta e vai embora. 

Tudo de forma muito normal, como se a bicicleta andasse sozinha. Enquanto isto, o ciclista com sua Top de linha e pensa: "Como pode alguém com uma Barra Circular me deixar prá trás desta forma?" 

E quando pensa em passar na frente do Seu Zé, ele já sumiu. Não se sabe se evaporou ou se acionou o turbo da sua Monark Barra Circular.

Me senti como o cara da Barra Circular. Mas não em velocidade, mas sacrifício. É difícil pedalar uma bicicleta de 6 marchas quanto está acostumado a câmbios de 20, 27 ou 30 marchas.


7 de jan de 2014

Claralline e outras histórias

- Sabe Doutor, o mundo vai acabar. E não vai demorar muito.
Fiquei alguns segundos tentando entender o contexto da afirmativa. Afinal tinha acabado de entrar no taxi, cumprimentado o condutor e falado o destino. Depois de tantas profecias perdidas, enlouquecimento coletivo só poderia imaginar que o “Seu Zé” estava viajando. Não literalmente, claro.
Mas não podia deixar passar a oportunidade. Gosto da cultura taxista e sempre tem uma tirada interessante.  Tomei coragem e perguntei:
- “Seu Zé”, porque o senhor fala isto? O mundo é tão bonito.
- É simples.  Depois que as mulheres saíram de casa para trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro, tudo desmoronou. Os filhos tem que ficar com as babás. Quando elas retornam do trabalho estão cansadas. Nem querem saber do marido ou dos filhos.
Se eu tive vontade de dar boas risadas? Claro. Precisei respirar muito para me conter e continuar aquela conversa. Se considerarmos que o mundo é cheio de “culturas” sobre as mulheres, em algum destes pode fazer sentido.
Mas o “Seu Zé” não parece ser alguém “derivado“ de uma cultura destas.
Notei que a Claralline começou a ficar incomodada com a conversa.  Desculpas, me esqueci de falar que uma colega de trabalho, a Claralline, também estava no taxi. Ela pegou o celular e começou a digitar umas coisas e ficou corada.
- “Seu Zé”, o trabalho das mulheres é bom para a família, para ajudar nas despesas de casa, uma forma de liberdade. Atualmente é quase uma exigência que as mulheres trabalhem fora.
- Por isto digo que o mundo vai acabar. Lugar de mulher é em casa com os filhos.
A Claralline já estava até tremendo. Acredito que era o ar condicionado do taxi.
Chegamos ao destino. Ainda poderíamos continuar o assunto por muito tempo, mas missão cumprida. Assinei o voucher da corrida.
Antes de entregá-lo para o “Seu Zé”, perguntei.
- “Seu Zé”, o senhor é casado?
- Sou sim. Tenho 3 filhos.  Minha mulher trabalha no Banco do Brasil.
A conversa encerrou ali. Realmente o mundo pode acabar, mas vai demorar muito.
Matosinhos 01.01.2014

5 de jan de 2014

O Tempo e suas inferências

Estava lendo as respostas dos internautas sobre a pesquisa que "donos de iPhone são mais inteligentes". Ri muito.
É uma associação de explicações de toda forma.  Falaram em condições financeiras, submeter-se ao corporativismo dos fabricantes, facilidade de colocar cartão de memória extra, e vai por ai.
Não entro no mérito, mas não se pode medir inteligência por rapidez de respostas, levando em consideração apenas o fato de ser ou não usuário de um smartphone.
Da mesma forma, não se pode considerar usuários de Nokia (certamente aparelhos com Symbian) e usuários de BlackBerry como menos inteligentes.
O maior problema destas empresas (Nokia e Black) é que pararam no tempo e, desta forma, isto reflete nos seus celulares.  Isto, por si, não afeta os usuários a ponto de serem taxados como "menos inteligentes".
Uma coisa é certa e não precisa de pesquisas elaboradas: o ritmo de alguns seguimentos humanos, com a era da informação rápida e generalizada, mudou muito.
Muitas destas mudanças são reflexo da necessidade de raciocínio rápido e eficaz. Isto faz (e não precisa de especialista para ver isto) com qua o cérebro fique mais ativo e o processo de conhecimento/aprendizagem sofra alterações se comparado com as gerações do início, meados ou, até mesmo, de 15 anos atrás.
É uma adaptação constante.
Se considerarmos,  no período da II Guerra Mundial, a notícia demorava meses para  chegar. Tomei conhecimentos de pessoas que permaneceram, juntamente com a sua Companhia de Soldados, aguardando embarque  para a guerra mesmo depois que ela acabou.
Sou da geração que lia jornal. Tinha assinatura de jornal que demorava 2 dias para chegar. Hoje não leio jornal. Leio RSS agregado que me traz, em segundos, notícias do mundo todo. 
Da mesma forma que as notícias e informações mudam a cada segundo, o poder de gerar conhecimento pelas pessoas também muda. Se levarmos para a forma de algumas "análises"  do passado, poderá "nascer" uma tendência de segregação do tipo "pessoas tais são mais inteligentes que tais".
Para quem não leu a reportagem "Pesquisa indica que donos de iPhone são mais inteligentes", poderá acessar o link http://nzn.me/a48657.
Boa leitura, boas "inferências"  e bons (?) comentários.

7 de nov de 2013

Dialogo

Já passavam das nove horas da noite quando o telefone toca na agência de Banco lá no interior.
- BancoX, boa noite. Em que posso ajudar?
- Boa Noite, aqui é o Sargento Epaminondas. O Alarme da agência está tocando aqui. Está tudo bem por ai?
Um silêncio e o telefone fica mudo alguns segundos.
- Alô, tem alguém ai? Pergunta o Sargento Epaminondas.
- Tem sim. Desculpas, Sargento. Estava olhando se temos algum problema por aqui. Está tudo certo. Acredito que alguém acertou, sem querer, o acionador do alarme.
- Ainda bem, responde o Sargento, foi um susto danado aqui. Qual é mesmo o seu nome?
- Francisco Teodoro.
- Não conheço você. Não lembro de você ai na agência.
- Sou novo aqui. Comecei ontem, por isto o Senhor ainda não me conhece.
- Pode ser. Hoje passei por ai à tarde mas nem tive tempo de  conversar com os funcionários. Passo ai amanhã para conhecê-lo. Boa noite.
- Boa noite Sargento.
No dia seguinte, quando o Gerente chegou na agência, o cofre estava aberto e o dinheiro da agência desaparecido.
A polícia chega e, junto, o Sargento Epaminondas, que foi logo falando:
- Engraçado. Ontem a noite o alarme tocou. Liguei para cá e o Francisco Teodoro atendeu e disse que estava tudo bem. Falou que encostou no acionador do alarme.
- Francisco Teodoro? Nós não temos nenhum funcionário com este nome.
Até hoje a polícia procura pelo Francisco Teodoro e o dinheiro roubado.
Matosinhos Mateus - 07.11.2013

1 de nov de 2013

Harmonia (Café com brigadeiro)

(Café com brigadeiro)
- Moço, bom dia. O Senhor já experimentou café harmonizado com brigadeiro?
Parei. Era uma promotora dos famosos cafés Nespresso. Uma máquina, uma bandeja com várias cápsulas coloridas, uma pequena caixa com pequenos brigadeiros envoltos em um papel de doces avermelhados, uma garrafa de soda.
Confesso que a palavra brigadeiro chamou mais a atenção que o famoso café.
- Quer experimentar? Nem esperou a minha resposta e continuou.
- Escolha o tipo de café preferido. Temos todos estes aqui, mostrando-me várias cápsulas de cores diferentes.
- O mais encorpado. Sempre gostei de um espresso mais encorpado porque deixa um gosto duradouro na boca e o cheiro é mais agradável.
Ela escolheu uma cápsula verde, colocou na máquina, fechou e apertou. Ouvi até o barulho da cápsula sendo furada. Aos poucos o café caia na xícara descartável de material térmico. Vai um desconto ai. Já imaginou se ela tivesse de lavar e higienizar um montão de xícaras de porcelana?
Enquanto o café saia, ela preparava um copinho com soda e o brigadeiro.
Quando o café terminou de “espressar” ela retirou a xícara e perguntou.
– Adoçante ou açúcar.
- Obrigado. Prefiro puro. Na hora pensei: “Que coisa. Estragar o Nespresso com doce. Nem pensar”.
Ela explica:
- Primeiro o Senhor toma a soda. Depois toma o café. No intervalo dos goles pode comer um pedaço de brigadeiro ou no final. Como preferir. O importante é sentir a harmonia entre o sabor do café e do chocolate do brigadeiro.
Fiz exatamente como sugerido. A soda refrescou a boca e a garganta, o café deixou seu aroma ser sentido pelas narinas e o gosto marcou a boca. Uma sensação muito boa. Cada um dos três goles parecia ser diferente do outro.
Quando terminei, me entregou o brigadeiro.
Já conhecia a dupla “café com brigadeiro”. Mas fiz como se fosse a primeira vez. E era. Com aquele conjunto de sabor, proporcionado pelo Nespresso e complementado pelo brigadeiro era uma novidade.
Andei pelo local mais um bom tempo e aquela experiência ficou marcada.
Precisei conter a vontade de comprar uma máquina de Nespresso. Afinal, tenho em casa uns 3 tipos de grãos diferentes e não quero perdê-los e muito menos deixar de ter o cheiro de café moído toda manhã.
Mas a harmonização do café com chocolate não é novidade. Já começa pelo famoso Café Capuchino. O que muda é a adição do leite para “quebrar” um pouco da acidez, destacar o sabor do chocolate e proporcionar aquela espuma. Além do doce.
Fica a dica. Algumas cafeterias perguntam qual acompanhamento prefere para o seu espresso. Normalmente tem biscoito ou um pedacinho de chocolate. Experimenta o chocolate. Não precisa ser Nespresso. Pode ser o espresso comum.
Matosinhos. Novembro, 01 2013.



















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